sábado, 26 de junho de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
O pão nosso de cada dia..
Reconheço porém, as tentativas daqueles que tentaram criar outro movimento , outro esporte que repruduza a vida em um jogo que não o futebol. Reconheço a tentativa. O sucesso continua a escadarias abaixo.
Outros povos fazem-de-conta ter a mesma alegria sulamericana com seus esportes, seus passatempos, meros. Tentativa falha, se iludem e sabem disso. Puro faz-de-conta, A benção foi concedida e limitada à aqueles que encontraram a vida diante de um campo . Abençoados são os que vivem acerca das quatro linhas de cal.
Ateus viram religiosos praticantes. Velhinhos que sentam silenciosamente nas poltronas vermelhas do ônibus, radicais de esquerda nos seus 19 anos. Mulheres submissas em seus empregos e lares; chame-as de Joanas, d'arc. A cidade apressada, é pulsante. O raro abraço entre filho e pai, vira único e fervoroso, na hora em que as redes tremulam.
Deixem para chamar de esporte, os outros esportes.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
O poeta e seu público.
O prazo estipulado pela editora, estava próximo ao término; o poeta tentara intervir nos dias que passavam, mas seu renome ainda não lhe concedera tal poder, limitou-se então à cafeína e a madrugada, duas companheiras sórdidas necessárias para suas criações coloridas e macias. Mas errou. Seu cérebro dopado de silêncio e pressão, junto ao olhar caído e cinzento, o fizeram e nem notaram. Eram vírgulas ali, palavras em seqüência errônea aqui. O cérebro e o olhar dopados. Rejeitaram qualquer percepção do erro.
O trabalho fora lançado. Seu ego? Bombardeado de elogios, qualquer aparição se tornara uma faixa de gaza. A conta bancária transbordou como a piscina olímpica. Mas e este erro? Pensou ao ler pela primeira vez o livro lançado. O que pensarão, falarão, farão?
Genial. Jogada de mestre, seqüência abstrata e proposital, modus operandi único, merece uma resenha! Pensaram os leitores ao perceberem (ou não) o erro do seu livro. "Poeta star", que nunca se dera o luxo de errar, diante de uma platéia que lhe dava, e em seqüência, aplaudia, errôneamente, como suas palavras na página oitenta e três.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Piolho gremista.
Todo mundo tem ou já teve um amigo que nem o Piolho. O guri era daqueles que menos se envolviam nos planos mirabolantes do "pessoal do fundão", mas no final da aula não dava outra. Era direção, poltroninha frente à frente ao diretor, diretor bravo, explicação, tentativa de explicação, ocorrência para a Dona Suzana assinar. Recém chegado de Livramento então, era um prato cheio para os colegas aqui da capital. Não conhecia nada em Porto alegre, sabia que tinha de pegar o T5, casa para a escola, escola para casa. Na segunda pela manhã, o Jair, diretor da escola, organizou uma excursão para uma partida do Grêmio, pelas quartas-de-finais da libertadores. O Piolho entrou em estase, foi para casa , no T5 , cantarolando as musiquinhas da torcida gremista que ouvira no Youtube. De segunda até a quarta feira, o tempo se arrastou, empacou, como um daqueles pangarés velhos que estava acostumado à ver por suas antigas bandas. Seria seu primeiro jogo.
Cachecol tricolor, toquinha azul, camisa sobre o casaco, era tanta roupa, mas o Poilho ainda conseguia sentir o coração bater forte. Bateram no seu ombro. Eram os colegas : - Ô Piolho, vamos sair "bem na manha" daqui e dar um pulo ali na geral do Grêmio. A idéia soou arriscada, se descolar da excursão, sei não. Mas foi. O fascínio que ele tinha por aquela torcida era imenso. Mal esperava a hora de ir para a tal geral, cantar durante o jogo todo e ainda poder dizer aos colegas no recreio de quinta-feira que esteve lá. Demais ! Se embebedaram os cinco , com um copo de cerveja, e entraram pulando e cantando até o amontoado de gente que fica atrás da goleira.
Falta! E essa é pro Souza bater, pensou ele. Souza cruzou. Borges chegou para concluir de cabeça , mas a bola acabou batendo do lado de fora da rede. Os lances iam ficando cada vez mais perigosos ao adversário, um timeco Chileno, Peruano, composto de Nunez, Perez, Rodriguez, Alvarez, ariba ! Mal sabia o guri. Zero à zero injusto, mas o time da azenha não se acanhava. Trinta e dois minutos do segundo tempo. Douglas pedalou, lançou Fábio Santos que passou correndo pela lateral esquerda. Fabio Santos na linha de fundo da dois cortes no zagueiro, cruza e ta lá ! Negrão Borges! Faltou ar, faltaram palavras. No meio da empolgação nem passou pela cabeça que tinha de descer a avalanche. Concreto. Concreto no queixo, no joelho, na canela. Parecia uma vítima no meio de um arrastão em Ipanema. Todo ralado, um tombo daquelas para filmar e mandar para qualquer programa dominical. O joelho sangrava, a canela também. O ante-braço todo ralado, a coxa também. Se levantou, e achou um de seus amigos, subindo os degraus depois da avalanche, o guri logo disse:
- Não foi nada.
- Como não foi nada ? – disse o Piolho fazendo gestos de desentendimento com os braços – Tô todo ralado ! Olha isso aqui.
- O Gol.
- É , pelo menos o gol !
- O gol, não foi nada. Anulado
domingo, 18 de abril de 2010
Rock'n'Love
Tentou tentou, e nada. Não saía um "ai" do negócio. Não conseguira entender bulhufas daquela eclética revistinha barata de partituras. Que era dividida entre "Light My Fire" do Doors e "Pare", este, clássico do "ZezéDiCamargoeLuciano".
Na saída da escola, lá estava ele com um teclado debaixo do braço esperando a Sofia. A Sofia achou o máximo o som que ele tirou no teclado. Que música desconhecida do The Doors que nada! Mal sabia a moça que aquilo não passava de uma música infantil ritmada de outra maneira. Ao menos, Andrei se saiu bem na foto.
Certo sábado, regado à uma cervejinha, Andrei abriu o jogo. Estava revelado o segredo das músicas poucos conhecidas do Doors, que não passavam de um "Cai, cai balão" em outro ritmo. OH !
- É verdade - disse ele rindo - nunca toquei nada, não sei como você caiu nessa.
Sofia achou graça e resolveu fazer o mesmo, resolveu abrir o jogo também, de maneira inocente :
- Andrei, se eu te contar você nem acredita hehehe..
- O que? Fala, fala.
- Eu nunca fui fã do The Doors.
- O que?
- Ouvi duas ou três faixas de um vinil da minha mãe. A verdade é que usei isso pra me aproximar de você, e rendeu, não acha? - Disse ela envolvendo seu braço sobre os ombros do guri - Olha nos dois, aqui, juntinhos.
Tudo bem, tudo bem, pensou ele no auge da confusão, fazer uma brincadeira inocente com o teclado do tio-avô pra agradar ela, tranquilo. Agora, calunia-lo, envolvendo The Doors, God Morrison e Break on Through, isso nem o inimigo mais frio do guri faria. Crime internacional !
Para amenizar o trauma do fim do relacionamento, ele foi na loja de camisas do shopping, comprar a nova que chegou da banda. Entrou na loja, olhou alguma coisa qualquer e foi em direção à arara de roupas em que estava sua camiseta. A lojinha estava lotada para uma terça feira, tentou passar por um casal de namorados em um lugarzinho estreito. Os dois com a clássica linguinha pra fora. Os dois de camisa dos Stones. O guri falava empolgado da camisa do Mick Jagger que chegara, a menina concordava timidamente. A guria? Mais fã de Stones impossível, ali estava ela, Sofia. A groupie de fãs.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
O sorvete da tia Araci. O melhor do bairro.
Anos se passaram, entre passas ao rum e sorvetes de flocos. Até que um dia eu vejo o Osvaldinho passar aqui na frente de casa, o pai não estava ao lado. Desci correndo as escadas do prédio pra conversar com o guri. Tentei puxar alguns assuntos, mas a resposta era sempre com a cabeça, um sim , um não. Antes de eu notar qualquer coisa, o Osvaldinho me disse que tinha perdido o pai, à 6 dias atrás, o assunto acabou e o pia ficou alguns dias isolado.
De vez em quando até via ele com alguns amigos passando aqui pela rua, ele até voltou a passar aqui em casa pra dar uma conversada . Mas havia parado com o papo do sorvete que persistira por tantos anos. Perguntei pra ele, se havia enjoado do lugar, que eu sempre disse não ser lá grandes coisas, e ele , com a fala mansa, diferente das animações de outrora, me disse:
- Aquele sorvete nunca foi bom, o lugar menos ainda, um butecão! O sabor de flocos era "tri"aguado, nem sei como eu tomava litros daquilo e achava a melhor coisa do mundo. Eu nunca fui lá comer sorvete de flocos, apesar de sempre acha-los o maior motivo pra ir até lá. Agora eu vejo, por mais velho e mal tratado que era o lugar, era o melhor lugar do mundo. Eu ia lá com meu coroa. E isso me bastava, me completava.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
É preciso : arte.
É preciso cair de cabeça nesse abismo, para não abismar-se com qualquer simplismo
É preciso preciso absorve-la intensamente, mas cuidado para não deixar de expeli-la aos outros
É preciso todo um egoismo para ser só tu e ela. Descanalize este egoísmo quando passa-la adiante
É preciso da contradição; o abstrato é tão mágico, mesmo com o realismo sendo único, ali. Na página seguinte.
É preciso correr atras do raro e também é preciso aceitar o que é trazido até ti. Sem burocracias. Mesmo quando bem usada pra filtrar o melhor.
É preciso do empoeirado.Estaria morta se só o empoeirado fizesse sentido. É preciso do plastificado.
Mesmo todas essas palavras soando quase que 'politicamente incorretas' nos dias de hoje; é preciso