Não se permitia errar, não com o status e renome que possuía. Se revertidos em litros, encheriam qualquer piscina olímpica, costumava brincar em seus poemas mais egocêntricos, empoeirados em qualquer fundo de gaveta.
O prazo estipulado pela editora, estava próximo ao término; o poeta tentara intervir nos dias que passavam, mas seu renome ainda não lhe concedera tal poder, limitou-se então à cafeína e a madrugada, duas companheiras sórdidas necessárias para suas criações coloridas e macias. Mas errou. Seu cérebro dopado de silêncio e pressão, junto ao olhar caído e cinzento, o fizeram e nem notaram. Eram vírgulas ali, palavras em seqüência errônea aqui. O cérebro e o olhar dopados. Rejeitaram qualquer percepção do erro.
O trabalho fora lançado. Seu ego? Bombardeado de elogios, qualquer aparição se tornara uma faixa de gaza. A conta bancária transbordou como a piscina olímpica. Mas e este erro? Pensou ao ler pela primeira vez o livro lançado. O que pensarão, falarão, farão?
Genial. Jogada de mestre, seqüência abstrata e proposital, modus operandi único, merece uma resenha! Pensaram os leitores ao perceberem (ou não) o erro do seu livro. "Poeta star", que nunca se dera o luxo de errar, diante de uma platéia que lhe dava, e em seqüência, aplaudia, errôneamente, como suas palavras na página oitenta e três.
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